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MUDANÇAS
NA DISTRIBUIÇÃO
DE PAPEL. |
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| As
pessoas com mais de 50 anos devem lembrar-se de
que, nas décadas de 50/60, todo estudante, ao
terminar o curso ginasial, era presenteado com
caneta Parker 21. Quem concluía o científico,
ou o clássico, ou o normal, recebia a modelo 51.
No final dos cursos, a maioria era premiada com
a Parker 61, o máximo na linha das canetas-tinteiro,
o suprassumo que alguém pudesse almejar.
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Essas
canetas eram consideradas verdadeiras joias pelo
alto custo e pelo valor sentimental que representavam.
Lembro-me de que, certa vez, uma Parker sumiu
em minha escola e a diretora ordenou que todos
fossem revistados. A indignação e a revolta dos
alunos foram violentas. No final da revista, não
foi encontrada a joia. Só no dia seguinte, o denunciante
do suposto furto teve coragem e honestidade bastantes
para informar que esquecera a caneta em casa e
desculpar-se do imbróglio. Apesar de correto e
honesto, o desmemoriado sofreu, por algum tempo,
muitas restrições dos colegas inconformados com
a humilhação sofrida.
Algum tempo depois, ocorreu o lançamento
da caneta esferográfica, de custo insignificante,
prática, de funcionamento perfeito que, sem dúvida,
condenou a Parker ao esquecimento em quase todas
as áreas da atividade humana.
No princípio, a esferográfica teve dificuldade
de aceitação porque interesses comerciais criaram
obstáculos de toda natureza, tais como, exemplificativamente:
o uso dela favoreceria fraudes no preenchimento
de cheques e na redação de documentos manuscritos;
o texto com ela redigido seria facilmente apagado
e substituído por outro do interesse do falsificador.
Era uma série imensa de inverdades bem elaboradas
para amedrontar incautos.
O correr do tempo encarregou-se de comprovar
que, na verdade, a caneta- tinteiro estava superada
e, de certa forma, obsoleta, cabendo, aos seus
fabricantes, conformarem-se com a imperiosa alternativa
de produzir esferográficas, o que ocorreu como
mostram os dias de hoje.
Isso leva-nos a meditar sobre outras mudanças
e transformações muito mais significativas e decisivas,
que devemos aceitar, queiramos ou não, impostas
pela globalização e que podem atingir-nos. Elas
alcançam, rápida e amplamente, todos os quadrantes
e influem decisivamente até na mudança de costumes
seculares de sociedades infensas a novidades.
Há muito, já se comenta que o papel de imprimir
e escrever será a caneta-tinteiro dos próximos
anos, pois com a internet e os livros eletrônicos
as novas gerações não vão querer ler jornal ou
livro impressos.
Muitos discordam dessa previsão, até com
um toque de ironia, porém o mais sensato é que
todos envolvidos na distribuição de papel tenham
os pés no chão e admitam essa possibilidade para,
desde já, buscar alternativas para o futuro.
Sintomas não faltam para justificar a preocupação,
que não é utópica.
O dia a dia convive com exemplos marcantes:
os jornais do mundo todo reduzem as tiragens ano
a ano; as revistas são lidas cada vez mais nos
meios eletrônicos. Quanto às listas telefônicas,
em franca agonia, quem se dá ao trabalho de consultá-las
se, no "site" da operadora, com alguns toques
no teclado, o consulente tem a informação?
Se admitirmos que os leitores de jornais,
livros e revistas impressos, dificilmente abandonarão
seu tradicional hábito, também devemos aceitar
que as novas gerações não vão dar continuidade
a essa prática que será, em futuro próximo, considerada
arcaica e inaceitável.
Muitos alegam que a informática demorará
para atingir a maioria da população brasileira.
Mas, em contrapartida, deve-se considerar que
os preços dos computadores, que dão acesso à internet,
estão despencando e a presidenta Dilma tem como
uma das metas a inclusão digital. As escolas particulares
e algumas públicas já utilizam meios eletrônicos,
que aumentam vertiginosamente ano a ano.
Talvez tudo isso que escrevo não passe
de exercício de futurologia, mas as evidências
devem levar-nos a pensar no assunto, com realismo,
para que em breve as distribuidoras de papel não
sejam atropeladas por uma esferográfica qualquer.
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Vicente Amato Sobrinho
Presidente do SINAPEL
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